Do Aprendiz ao Mestre
“O
Karate-Do Goju-Ryu é a manifestação da harmonia da natureza em nós.
O
caminho do Goju-Ryu é buscar o caminho da virtude”
Sergio Nascimento (Parafraseando Mestre Vicente)
Do Aprendiz ao Mestre - Universidade do Karateca
Não se pode entender o Karate,
sem conhecimento profundo do conteúdo do Dangai (faixa colorida).
Muitas pessoas questionam a
causa de tanta informação, tantas aulas, repetições e tantos ensinamentos no
Grau de dangai, citando, por certo, que quem não é bem alfabetizado, não é bem
instruído em seu início escolar, jamais será um bom leitor, colocando as
palavras nos lugares devidos.
Ledo engano.
O bom karateca necessita da
prática, da atenção aos kihons, katas e bunkais, com perseverança, instruídos
por bons Mestres e participando ativamente de intercambio de gashukos com
diversos mestres.
A atenção aos kihons e katas,
não deixando se levar por conversas laterais, vai fazer, sempre, do dangai um
ótimo karateca, tendo ele cultura formal ou não.
O importante é perguntar.
Perguntar, quando não entender a técnica, o que se fala em Dojo.
Saber o significado de cada movimento
do Kihon e do Kata, não se limitando a respostas simples, mas questionando,
questionando o objetivo daqueles movimentos, daquelas técnicas.
Dentro da modalidade há muita
necessidade do conhecimento pela prática, pela pergunta a um mestre, pois o que
se vê ou o que se é perguntado, muitas vezes não se encontra na teoria, a
literatura do karate é muito escassa.
Praticar o Karate não exige necessariamente
da cultura dos bancos escolares, e, sim, da participação sincera e convicta,
além do carinho para com os demais parceiros de treinos.
Quando não entender o que
surge no Kihon ou Kata, qualquer um pode e deve inquirir o mestre ou aluno mais
graduado, a fim de ser esclarecido, para no futuro ensinar aos que estão
entrando na modalidade ou não entenderam a explicação recebida.
Os olhos, os ouvidos e a boca
fazem parte integrante do aprendizado.
Com os olhos gerando a atenção
em tudo o que está à mostra, pois este sentido aguçado auxilia no aprendizado
integral.
Com os ouvidos temos o prazer
da explicação, não nos afastando do direito de entender e usarmos a fala para
exercermos o direito do esclarecimento.
É bem fácil ser Faixa preta.
Não há karateca, dentro do dojo
mais culto que o outro, apenas o que reteve mais conhecimento.
O que há, e isto é verdade, é
um karateca mais experiente, mais conhecedor dos Katas e técnicas de Kihon.
Ele sabe pela prática,
atuando, ensinando e perguntando, também.
Temos em vários dojos, no
mundo inteiro, mestres que dominam, com pura perfeição, os segredos, os
mistérios do karate, sem que tenham cursado uma Universidade.
O maior objetivo da Universidade
do karate é a busca pela qualidade de vida.
Sem ela não faz efeito algum
em relação ao que se prega, aos princípios fundamentais do karate.
De que adianta a Universidade,
se não somos livres, se não temos direito à liberdade, para pensarmos e
agirmos, prudente que somos, que aprendemos nos dojos a agirmos desse modo?
De que adianta o diploma dos
bancos escolares se lá não há a busca pela qualidade de vida, que nos é ditada,
pregada com frequência por nossos Karatecas veteranos da organização a que
pertencemos?
O que queremos e precisamos é
do entendimento do que aprendemos diariamente que nos ensina e nos mostra que a
nossa conduta deve ser correta, durante as vinte e quatro horas de cada dia, e
não somente no dojo.
O que queremos, na verdade, é
um bom aprendizado, entendendo o que é ensinado dentro do Dojo e precisa ser
praticado junto a outras pessoas que, ainda, não entendem a Liberdade, a Igualdade
e a Fraternidade, mesmo apresentando o estudo tão necessário a eles, mas que
diverge, muitas vezes, do que é necessário ao ser que tanto precisa do amor, da
liberdade, da igualdade.
No karate, mesmo que de forma
limitada, ainda temos bons livros, mas a prática do coração, do amor ao
semelhante, é ensinada nos dojos, nos grandes exemplos dos bons mestres.
Eis a grande Universidade do karateca
que começa no eterno Grau de dangai com a faixa branca.
(Texto original
retirado das Crônica do mestre Jorge Vicente.´.)

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